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Sábado, 02 Novembro 2019 13:13 Última modificação em Sábado, 02 Novembro 2019 13:15

Partido Comunista da Turquia (TKP): "Seguimos o caminho de Lenin"

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País: Turquia / Batalha de ideias / Fonte: PCB

Discurso de Kemal Okuyan, Secretário Geral do Comitê Central do Partido Comunista da Turquia (TKP), no ato inaugural do 21º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários, em 18 de outubro de 2019, em Izmir, Turquia.

Representantes comunistas dos partidos irmãos, camaradas, lhes dou as boas vindas.

Planejamos recebê-los no próximo ano, por ocasião do centenário do Partido Comunista da Turquia (TKP). No entanto, por razões que todos sabem, assumimos a responsabilidade de organizar nosso 21° Encontro, em co-responsabilidade com o Partido Comunista da Grécia. De qualquer forma, encontrar-nos com vocês e recebê-los em Izmir é uma grande honra para nós. Acreditamos que esta reunião servirá à nossa luta comum.

Outro ponto que tenho que levantar no início está relacionado à grande reunião que tínhamos planejado para a noite de sábado. Devido à operação militar lançada pela Turquia contra a Síria, tivemos que cancelar uma atividade política e cultural que reuniria mais de 5.000 participantes, para a qual também convidaríamos a todos. As declarações de nosso partido relacionadas a esses últimos eventos foram enviadas a vocês. Além disso, preparamos uma sessão de informações sobre o assunto para compartilhar nossas avaliações e análises detalhadas. Todos estão convidados para esta reunião.

Ao iniciar meu discurso, gostaria de agradecer a todos os camaradas do Partido Comunista da Grécia (KKE) que contribuíram para a preparação deste encontro, a todos, desde o Secretário Geral Dimitris Kutsumbas até os jovens militantes do KKE que vieram prestar o apoio técnico e, claro, meus camaradas do TKP. Obrigado, acredito que transformaremos esta região em um paraíso onde as pessoas possam viver em amizade e em uma ordem social igualitária.

Caros camaradas,

O 21º Encontro de Partidos Comunistas e Operários é convocado no centenário da fundação da Internacional Comunista, uma organização cuja importância histórica para o movimento comunista é incontestável.

A Internacional Comunista foi fundada em uma época em que os bolcheviques pensavam que o processo iniciado com a Revolução de Outubro de 1917 continuaria em outros países e que a classe trabalhadora chegaria ao poder em pelo menos parte da Europa. Nesse sentido, a Internacional Comunista não era uma organização de solidariedade ou recomendações. A Internacional Comunista foi fundada para estabelecer a vontade comum, um centro revolucionário que o proletariado precisava para dar o golpe mortal ao capitalismo. Nesse sentido, não há erro em chamar a Terceira Internacional de Partido Mundial.

Camaradas, o poder que a Internacional Comunista alcançou em pouco tempo pode nos confundir. No entanto, embora tenhamos começado em março de 1919, não esqueçamos que a Internacional Comunista foi fundada com recursos extremamente escassos, que as delegações que vieram de diferentes países ao Congresso fundador não tinham muito poder de representação e que a maioria dos partidos membros não tinham muito peso em seus próprios países. Se deixarmos de lado os bolcheviques, que tomaram o poder na Rússia apenas um ano e meio antes, a Internacional Comunista foi fundada por partidos ou grupos com pouca efetividade.

No entanto, agiram com grande afirmação, entusiasmo, determinação e otimismo. A profunda crise em que o capitalismo estava caindo e a mobilização de milhões de proletários diante dessa crise foram suficientes para os comunistas. Eles se concentraram em sua missão e responsabilidade histórica em oposição às suas fraquezas e estavam convencidos de que a burguesia poderia ser derrotada e será derrotada. Dessa maneira, os Partidos Comunistas que foram fundados com a ajuda dos bolcheviques não apenas se tornaram uma força importante em pouco tempo e lutaram para levar a classe trabalhadora ao poder, em certos casos, mas também tiveram sucesso, mesmo que fosse por pouco tempo. Hoje, ninguém deve acusar as tentativas revolucionárias da Hungria, Eslováquia, Alemanha e outros países de aventureiras. Aqueles que lutaram pelo poder revolucionário permaneceram fiéis à filosofia fundadora da Internacional Comunista e falharam por várias razões.

Caros camaradas,

Há uma razão para eu falar sobre tudo isso. É de vital importância determinar o equilíbrio de forças entre as classes e se afastar de uma linha política administrativa. As revoluções não acontecem apenas por causa das decisões que tomamos. Nossa tarefa não é fazer a revolução, mas liderá-la, porque uma revolução não é algo que se possa inventar. No entanto, também é verdade que existe uma relação dialética entre as crises do capitalismo e o aumento de oportunidades revolucionárias e até o surgimento da revolução. Nesse sentido, é muito enganador avaliar estaticamente o equilíbrio de poderes, especialmente em tempos de crise.

Em 1919, os Partidos Comunistas eram extremamente fracos, tanto quantitativa quanto qualitativamente. Quando olhamos para o mundo hoje, reclamamos compreensivelmente da fraqueza do movimento comunista, mas em 1919, quando a Internacional Comunista foi estabelecida, também não tinha maior poder.

Então qual foi a diferença? A mobilidade e organização das massas trabalhadoras é a primeira coisa que vem à mente. Embora a classe trabalhadora estivesse sob a égide dos partidos social-democratas, estava amplamente envolvida na luta política, em alguns países os sindicatos tinham sérios potenciais.

Outro fenômeno que pode ser mencionado como diferença é a reação à destruição e pobreza gerada pela guerra imperialista e o fato de a guerra não ter posto um fim à profunda crise econômica e até ter acrescentado novas dimensões a ela.

No entanto, ninguém pode afirmar que o capital internacional atual é mais forte ou mais durável do que o de 100 anos atrás. O imperialismo está fracassando em todos os aspectos, nada mais tem a dizer à humanidade do ponto de vista econômico, ideológico e político. Em lugar nenhum.

Camaradas, não estou tentando dizer que estamos vivendo nas mesmas condições de 100 anos atrás. Isso não é certo. O que precisamos fazer é analisar as condições concretas de hoje e, com base nisso, lutar com as ferramentas e métodos adequados.

No entanto, é impossível determinar as tarefas de hoje de maneira saudável, sem apontar uma diferença muito importante entre 100 anos atrás e hoje.

Camaradas, há 100 anos, a partir da classe trabalhadora, há cem anos, para as grandes massas, centenas de milhões de pessoas, socialismo ou ordem igualitária eram uma demanda tangível e atual. A partir da segunda metade do século XIX, toda luta da classe trabalhadora estava impregnada do desejo de derrubar o capitalismo, embora primitivo. Não estou falando de estratégias e programas políticos. O desejo de mudar a ordem era uma realidade social. Esse desejo não surgiu com a Revolução de Outubro de 1917. A Revolução de Outubro trouxe um novo senso de energia e realidade a esse desejo e o estendeu a uma geografia mais ampla.

Preciso repetir que o capitalismo de hoje não é mais durável e estável do que há 100 anos atrás. Talvez centenas de milhões não estejam em luta, mas bilhões de pessoas perderam toda a esperança com a ordem social atual. Isso também tem um papel no aumento do racismo e dos movimentos populistas de direita em todo o mundo. Embora não seja a única razão pela qual milhões de pessoas perseguem pessoas que não conhecem, e pelo menos apoiam as novas formações centradas nos líderes nas eleições, está relacionado à busca de uma saída por parte do povo.

Sim, camaradas, temos que admitir que uma das diferenças mais importantes de 100 anos atrás é que a ideia de que o capitalismo pode ser destruído e que uma ordem igualitária possa ser estabelecida está fora da mente da humanidade.

Isso não pode ser explicado apenas por condições objetivas. Manter esta ideia viva e realizá-la nas mentes e corações das grandes massas populares, começando pela classe trabalhadora, é a principal tarefa dos comunistas. Esta ideia não pode ser rejeitada referindo-se ao equilíbrio de poderes. Pelo contrário, é a difusão dessa ideia que mudará o equilíbrio de forças.

Camaradas, quando olhamos para os últimos cem anos, temos que admitir que os comunistas também são culpados de que a humanidade não declarou em voz alta que uma ordem mais igualitária é possível e que o capitalismo deve ser destruído.

E agora, voltando-me para a Turquia e nossa região, quero mostrar a vocês, diante dos eventos atuais, como pode se perder e se mover sem uma bússola que aponte o caminho certo, se for esquecida a realidade do socialismo.

Nosso encontro coincidiu com a nova ofensiva militar da Turquia lançada em território sírio. Esta não é a primeira vez. A presença do exército turco no território de outros países começou com a Coréia. Era parte de uma guerra injusta para proteger os interesses do imperialismo ianque. Nos anos seguintes, soldados turcos participaram de muitas operações da organização terrorista monopolista internacional OTAN. Em Chipre, a soberania, a independência e a integridade da ilha são violadas há 45 anos. Existem inúmeras operações transfronteiriças no Iraque, bem como inúmeras bases, postos avançados e pontos de observação pertencentes ao exército turco, assim como na Síria.

Caros camaradas,

Como avaliamos esse cenário?

Uma visão é ver a Turquia como um obstáculo à democracia e à liberdade.

Pode algum comunista que lute na Turquia se opor a isso?

Não se pode opor a isso, mas para os camaradas essa expressão, essa formulação está errada. É um erro, porque o Estado do capital é inimigo da democracia e das liberdades em todo o mundo. Essa formulação significa esvaziar o conteúdo de classe dos problemas na Turquia e vinculá-lo ao povo ou ao exército, e isso nos levará a cometer erros.

Uma posição política revolucionária é impossível sem entender que existe uma forte classe capitalista que age com crescente autoconfiança e que, em geral, as políticas nacionais e internacionais da Turquia estão alinhadas com os interesses dessa classe.

Quando não se entende isso, acontece o seguinte: acaba-se ao lado dos poderosos países imperialistas ou da classe capitalista turca por liberdades e democracia na Turquia ou em uma região maior, convertendo-se em aliados. O que estou dizendo não é um exagero. Isso aconteceu na Turquia e, infelizmente, muitos revolucionários se tornaram verdadeiros colaboradores do imperialismo ao longo deste processo.

Camaradas, devo lembrar que Erdogan, a quem são atribuídos vários adjetivos, foi apoiado pelos chamados círculos democráticos e pró-liberdade desde os primeiros períodos de sua ascensão ao poder até 2010. Não apenas da União Européia (UE) e dos Estados Unidos, mas também de muitas tendências diferentes da esquerda e o movimento nacionalista curdo na Turquia forneceram esse apoio. Por outro lado, o TKP, nós que lutamos contra o governo do AKP desde o início, foi rotulado como fascista por enfrentar Erdogan.

Mais tarde, quando as rivalidades e contradições dentro do sistema imperialista se aprofundaram, e quando Erdogan, enfrentando grandes problemas na política doméstica, abriu um espaço para si mesmo usando essas rivalidades e contradições e começou a ter problemas reais com os Estados Unidos, surgiram algumas críticas e acusações contra Erdogan. No entanto, para muitos esquerdistas, isso não resultou na posição correta, porque muitos olharam para os imperialistas e a burguesia turca contra Erdogan. Vergonhoso.

Não vou tomar seu tempo para proporcionar provas de tudo isso. Eu quero chegar ao outro lado da moeda.

Camaradas, mencionei que uma busca por democracia e liberdade que não tenha conteúdo de classe, que não coloque o objetivo da revolução socialista em seu centro, significará uma colaboração aberta ou secreta com a UE e a OTAN e que essa abordagem resultará em uma rendição total à classe capitalista.

E a busca pela independência? Camaradas, quando os conceitos de independência e soberania são separados de sua base de classes, tornam-se tão perigosos quanto os conceitos de liberdade e democracia. Vemos que há uma divisão em muitos países e no público progressista em geral. Por um lado, há uma tendência de cooperar com a burguesia em torno dos conceitos de “liberdade e democracia”. Por outro lado, há uma tendência a reconciliar-se com uma ou outra divisão do capital através do conceito de “independência”.

A situação na Turquia reflete exatamente essa divisão. Dizem-nos que precisamos de uma aliança das principais potências para o declínio de Erdogan; existe o imperialismo alemão nessa aliança; existem os representantes mais poderosos da burguesia turca; existe o governo dos Estados Unidos; existem social-democratas, os chamados esquerdistas, liberais, alguns islâmicos e uma fração do fascismo. Essa aliança certamente poderia conter Erdogan, mas nunca trará democracia e liberdade.

Além disso, argumenta-se que o mais importante é ganhar a capacidade de agir independentemente dos EUA, fazendo uma interpretação incompleta do imperialismo e até reduzindo o imperialismo apenas aos EUA. E dizem que todos os tipos de opressão, intimidação, reacionarismo e guerra podem ser aceitos por essa causa.

Em quase todos os países desta geografia, há pressão sobre os comunistas para aceitar um dos dois paradigmas. Ou cooperamos com os imperialistas, os capitalistas pelo bem da democracia e da liberdade, ou permanecemos calados diante de todo tipo de opressão e crueldade com outros imperialistas ou grupos capitalistas pelo bem da independência.

Podem a iberdade, independência, soberania ser inúteis para os comunistas? Nunca. No entanto, o uso aleatório desses conceitos nos causa grandes danos, como se pode ver. Existe apenas uma saída para essa situação estranha. Está em colocar a demanda por uma ordem social alternativa na agenda dos trabalhadores, compartilhando a emoção da fundação da Internacional Comunista, há 100 anos. Não é uma pena que os pobres do meu país sigam Erdogan e a ganância da burguesia para obter benefícios devido à sua raiva contra os Estados Unidos? Não é uma lástima que os trabalhadores, sejam turcos, curdos ou árabes, esperem liberdade e democracia dos imperialistas europeus ou de uma ou outra fração dos Estados Unidos?

Estes são os resultados de nossas fraquezas, as lacunas que nos restam. Não tomemos como desculpa as circunstâncias desvantajosas ou o equilíbrio de poderes. Como eu disse no começo, quando a Internacional Comunista começou há 100 anos, havia menos pessoas do que temos agora nesta sala.

Penso que, em breve e juntos, recuperaremos as reivindicações e o entusiasmo que tínhamos 100 anos atrás.

Camaradas,

O Partido Comunista da Turquia está organizando sua luta com essa perspectiva. Não é verdade que o objetivo do socialismo, defendendo a contemporaneidade e a oportunidade do socialismo, leve inevitavelmente ao isolamento. Não há regra de que uma atitude revolucionária resulte em bravatas ou sectarismo. Pelo contrário, hoje no mundo, o objetivo do comunismo requer um alto nível de criatividade e intelecto. Quando isso é combinado com coragem e determinação, a defesa da revolução socialista como um objetivo real ressoa na classe trabalhadora. O oposto não é possível neste momento de crise, quando se demonstra todos os dias que o capitalismo não tem mais nada a dar à humanidade.

O Partido Comunista da Turquia disse não a qualquer aliança com a burguesia ou seus representantes políticos. Apesar da forte pressão, o partido defendeu persistentemente a tese de que “essa ordem social deve mudar”. Dentro da classe trabalhadora, desenvolvemos nossa organização pacientemente. Conseguimos fazer o que os sindicatos não fazem em muitos casos com um modelo exclusivo chamado: “Na nuca dos patrões”. Temos demitidos de volta ao trabalho e conquistamos aumentos salariais. Ao fazê-lo, dissemos que a atenção deveria se concentrar no estabelecimento de uma ordem igualitária, não em uma ou outra solução burguesa.

Dissemos não às alianças burguesas, mas fizemos os comunistas ganharem a eleição de prefeito em uma cidade pela primeira vez na história da Turquia, fazendo uma aliança revolucionária. Nossos votos, pela primeira vez, ultrapassaram 1% em algumas seções eleitorais nas maiores cidades da Turquia.

O número de membros do partido aumentou mais de 30% em um ano. Estamos no início de nossa tarefa em um país muito grande e desafiador. Características qualitativas são mais importantes que quantidades. Fazemos todos os esforços para garantir que o Partido Comunista Turco se torne a vanguarda urbana, moderna, intelectual e revolucionária da classe trabalhadora. Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas, sabendo que a vida pode nos deixar com responsabilidades históricas a qualquer momento, seguimos persistentemente o caminho da revolução, o caminho de Lenin que marcou uma era há 100 anos. O importante é o que nossos camaradas dizem, não o que os anticomunistas dizem de maneira aberta ou secreta.

O TKP cometerá erros, às vezes dará passos atrás; isto é da natureza da luta. Mas, queridos camaradas, o que o TKP não fará é trair os ideais revolucionários, a meta do comunismo, os trabalhadores e seus amigos.

Glória à luta comum dos partidos comunistas!

Viva o marxismo-leninismo!

Até à vitória, sempre!

Tradução: Partido Comunista Brasileiro PCB

Fonte: https://prensapcv.wordpress.com/2019/10/19/seguimos-el-camino-de-la-revolucion-el-camino-de-lenin/

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