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Diário Liberdade
Sexta, 07 Abril 2017 23:13 Última modificação em Sexta, 21 Abril 2017 16:42

A Bolívia honrou os povos da América Latina e do mundo na ONU Destaque

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País: Bolívia / Direitos nacionais e imperialismo / Fonte: Diário Liberdade

[Eduardo Vasco] “Quando convém a seus interesses, [os EUA são] defensores da democracia, mas quando não [convém], financiam golpes de Estado. E a mesma coisa acontece, lamentavelmente, com as Nações Unidas e este Conselho, que quando já não serve a seus interesses, não importa o multilateralismo. Para algumas coisas que lhes convêm, tudo bem usar o multilateralismo, as Nações Unidas. Mas quando são contrários aos seus interesses, já não interessam nem as Nações Unidas, nem os direitos humanos, nem a democracia.” – Sacha Llorenti, embaixador da Bolívia na ONU (07/04/2017).

A partir desta sexta-feira (07), os povos da América Latina e do Terceiro Mundo têm uma dívida com a Bolívia. Este humilde país, escondido no meio da América do Sul, entre os gigantes Brasil e Argentina, cuja saída para o mar foi roubada devido a interesses imperialistas, deu um exemplo de dignidade e solidariedade internacionalista.

Assumindo desde o início deste ano seu terceiro mandato como membro não-permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Bolívia está cumprindo o que prometeu o presidente Evo Morales no dia 1º de janeiro: “A partir do Conselho de Segurança, a Bolívia será a voz dos povos do mundo e lutará para construir um planeta sem invasores nem invadidos.”

Logo após os bombardeios dos EUA contra instalações militares sírias, o embaixador boliviano na Organização das Nações Unidas, Sacha Llorenti, convocou uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança para discutir a grave violação da Carta da entidade e do direito internacional por parte da potência imperialista.

Os bombardeios vieram após o presidente estadunidense Donald Trump acusar, sem a mínima comprovação, o governo de Bashar al-Assad de ser o responsável direto pelo ataque químico em Idlib, na última terça-feira (04), causando a morte de dezenas de pessoas.

“Quando todos estávamos aqui discutindo e exigindo a necessidade de uma investigação independente, imparcial, completa e conclusiva desses ataques, os EUA se convertem no investigador, no fiscal, no juiz e no carrasco [...] Essa é uma violação gravíssima ao direito internacional. Não é a primeira vez que isso acontece”, denunciou Llorenti.

Ele lembrou que, em 2013, os Estados Unidos estavam à ponto de uma intervenção armada direta na Síria quando houve o primeiro ataque com armas químicas, já atribuído a Assad, mas também sem qualquer prova. É bom recordar que os terroristas do Estado Islâmico, combatidos pela Síria e pela Rússia, possuem armas químicas e já as usaram, deixando um indício de que podem tê-las usado novamente.

O posicionamento corajoso da Bolívia deve ser reconhecido e louvado por todos os povos oprimidos. A Bolívia sempre foi o país mais pobre e atrasado da América do Sul e um dos mais miseráveis da América Latina, colonizada e devastada por espanhóis, que dizimaram os incas e roubaram toda a prata das minas de Potosí para forjarem as primeiras moedas de comércio mundiais que levaram ao enriquecimento da Europa e ao total empobrecimento do país andino. Depois veio o domínio dos EUA, apesar da luta daquele povo que fez uma revolução no meio do século XX e sempre teve uma vocação anti-imperialista e soberana.

Llorenti denunciou ainda a hipocrisia dos Estados Unidos quando trata de direitos humanos, discurso que utiliza para se intrometer nos assuntos internos de países soberanos que não estão totalmente submissos ao ser poder. E lembrou o histórico de golpes de Estado perpetrados pela “polícia do mundo”, “protetora” dos povos.

“[Os EUA] nos falam do discurso dos direitos humanos, que nós cumprimos, mas quando o discurso dos direitos humanos não serve para seus interesses, violam sistematicamente os direitos humanos. A série de golpes de Estado na América Latina foi organizada e financiada pela CIA. Essa é uma verdade histórica, não é uma retórica, um discurso, é uma verdade”, disse o diplomata, que lembrou também do golpe contra Salvador Allende e as práticas de tortura ensinadas na Escola das Américas, mantidas pelos EUA.

A Bolívia fez o que o Brasil, potência sul-americana, deveria fazer. O que a Argentina deveria fazer. O que o México deveria fazer, quando estes países têm a oportunidade de se dirigir a toda a comunidade internacional. Quando Dilma Rousseff estava com a corda no pescoço, prestes a ser destituída, não teve coragem de dizer que estava sofrendo um golpe de Estado apoiado pelo imperialismo estadunidense. E hoje o Brasil caminha novamente para a total colonização, perdendo qualquer influência nas decisões mundiais e voltando a ser um país vira-latas com fantoches fazendo o papel de ministros das relações exteriores.

Hoje o Brasil e os brasileiros que se dizem nacionalistas e patriotas se regozijam em ajudar na desestabilização da Venezuela, na provocação à Cuba e à própria Bolívia. E escondem que não passam de marionetes dos patrões imperiais, que os mantêm comendo em sua mão. Não foi à toa que o presidente do Peru disse que o único país que incomoda os EUA na América do Sul é a Venezuela, pois os outros são como “um cãozinho simpático” que não dão “nenhum problema”. A Bolívia, pelo menos neste discurso na ONU, mostrou que não quer se juntar aos outros cãezinhos adestrados que lambem ingenuamente a mão do dono.

Na reunião do Conselho de Segurança, o embaixador boliviano ainda fez um paralelo da situação atual na Síria com a invasão dos EUA ao Iraque em 2003, lembrando que Colin Powell, o secretário de Estado à época, havia ido àquela mesma mesa garantir que tinha provas absolutas de que o Iraque era dono de armas de destruição em massa. Llorenti mostrou uma foto de Powell urgindo para uma invasão.

“Isso motivou uma invasão e depois dessa invasão foram registradas 1 milhão de mortes e foi desencadeada uma série de atrocidades nessa região. Poderíamos falar de Estado Islâmico se não houvesse essa invasão? Poderíamos falar dessa série de gravíssimos e horrendos ataques em diferentes lugares do mundo sem essa invasão ilegal?”, questionou, lembrando também que nunca foram encontradas quaisquer armas de destruição em massa no Iraque.

O mesmo provavelmente ocorreu na Síria. E a história se repete, com todos os grandes meios de comunicação corporativos enganando a população, encarando as palavras de Trump como se não precisasse de provas, aliás, nem falam de que não é comprovado por quem foram usadas as armas químicas em Idlib. Simplesmente dizem: “Os EUA atacaram a Síria por causa do uso de armas químicas” e aí mostram as imagens de crianças sofrendo.

Llorenti também falou sobre isso, ao condenar “energicamente” o uso de armas químicas por quem quer que seja, e exigiu uma investigação “completa, conclusiva e independente” em casos como este. Afirmou que tanto o ataque químico como o bombardeio dos EUA (que, como ele disse, viola o direito internacional), devem ser “devidamente processados e sancionados com o maior rigor da lei”. Agora, alguém acredita que os EUA serão sancionados? Se houvessem mais nações como a Bolívia na ONU, até poderíamos levantar a hipótese...

O presidente Evo Morales confirmou a posição exemplar desse país que investe em programas estatais e no desenvolvimento independente e soberano, por meio da nacionalização de setores estratégicos e vem a cada ano melhorando os índices econômicos e de saúde e educação.

Em sua conta no Twitter, ele também expressou repúdio ao ataque dos Estados Unidos e afirmou que isso represente uma ameaça à paz e à segurança internacional.

Enquanto Brasil e Argentina, com seus respectivos presidente golpista e mauricinho, entregam suas riquezas ao exterior em nome do desenvolvimento neoliberal e se apequenam novamente no cenário internacional, a Bolívia se agiganta e mostra outro caminho para os povos do Terceiro Mundo, um caminho de soberania, investimento público e solidariedade com as nações oprimidas.

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