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Diário Liberdade
Quinta, 14 Junho 2018 05:15 Última modificação em Quarta, 20 Junho 2018 00:07

Putin, o G7 e a Crimeia

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País: Rússia / Resenhas / Fonte: Pandora TV

[Massimo Mazzucco, Tradução da Vila Vudu] Conto-lhes uma linda história. Era uma linda manhã em 2014. O presidente russo, Vladimir Putin, acordou de bom humor, olhou pela janela e viu os raios do sol a acariciar as cúpulas do Kremlin. Os pássaros cantavam alegremente. Putin ligou para o secretário e perguntou:

"Algo de especial acontecendo no mundo hoje?"

"Nada de especial, presidente Vladimir, está tudo calmo, no leste como no oeste" --, respondeu o secretário.

"Ugh, que chato – disse Putin entre um bocejo e outro. – Mas... não podemos fazer alguma coisa divertida?"

"Como o quê?" -- perguntou o secretário.

"Sei lá... Alguma coisa bem espetacular..." – Foi quando teve uma ideia e uma luz maligna passou pelos olhos de Putin:  

"Já sei! Vamos pegar a Crimeia!"

"Mas a Crimeia é da Ucrânia" -- objetou timidamente o secretário.

"E daí?! Quem se importa?! Com Ucrânia ou sem Ucrânia, hoje eu quero ocupar Crimeia. Venha, vamos lá ocupar a Crimeia e fim de conversa. Ninguém pode me impedir" – declarou Putin, resoluto.

Esta é mais ou menos a narrativa oficial que o 'ocidente' criou e faz circular sobre o que aconteceu na Crimeia há quatro anos. Segundo esta narrativa, Putin foi justamente expulso da assembleia do G8, "porque no mundo de hoje não é lícito tomar pela força territórios dos outros". Claro. 

Naturalmente, há também a versão conspiracional. Segundo a versão conspiracional, Putin acordou furioso porque os americanos haviam derrubado um governo democraticamente eleito na Ucrânia amigo da Rússia, e nós – o 'ocidente' – metemos no lugar dele um fantoche nosso amigo. 

Foi quando Putin até pensou em retomar a Criméia – que sempre foi russa, desde o começo dos tempos –, para evitar que os americanos passassem a mão também na Crimeia. Mas sem armas, com um referendo democrático, como foi feito depois.

Mas... A história é escrita pelos vencedores. Fazer o quê? E por enquanto o 'ocidentais' estão ganhando o jogo.

Ou pelo menos estavam, até ontem. Porque ontem (08) aconteceu que foi dia de o presidente dos EUA acordar de bem com a vida e ver, de repente, que faltava, à mesa do G7, um importante interlocutor: a Rússia de Vladimir Putin.

E lá se foi Trump, então, para frente das câmeras, e com aquela cara habitual dele, a de sempre, disse que "a Rússia deve voltar ao G7, porque é importante que os russos estejam lá quando se discutirem questões de importância global".

Trump esqueceu completamente que quem tantas fez até excluir a Rússia do G8 e impor sanções ao país foi seu antecessor, Barack Obama.

A ideia de Trump pôs em tilt o governo de Bruxelas. O presidente do Conselho Europeu Donald Tusk fez saber ao mundo (...) que: "O que mais me preocupa é ver que a ordem mundial, baseada em regras comuns, é desafiada não pelos suspeitos de sempre, mas, surpreendentemente, por seu principal arquiteto e fiador: os Estados Unidos".

Oooops, nunca vi tantos lapsos freudianos numa frase só! Assim se descobre que na cabeça de Tusk – e, portanto, para os tecnocratas de Bruxelas – existe (a) uma "ordem mundial";que (b) "regras comuns" são, claro, "regras do 'ocidente'"; e que (c) quem arquitetou, quer dizer, quem criou essa "ordem mundial" foram, em primeiro lugar os EUA.

Não é grande revelação, que fique bem claro. Mas ler certas coisas assim, preto no branco, sempre causa alguma emoção.

Felizmente Putin não aceitou o papel do estudante expulso da sala de aula porque se comportou mal e que ansiosamente espera que o chamem de volta. Em vez de abanar o rabo feito cachorrinho, quando Trump mandou seu recado, do Canadá, dizendo que talvez o aceitasse de volta, Putin respondeu, em tom de perfeito cool, que "nesse momento estamos focados em outros formatos".

Não por acaso, ontem mesmo Putin fez-se fotografar em companhia do presidente chinês de Xi-Jinping.

O mundo continua, e nesse meio tempo o G7 parece uma espécie de clube velho de nobres decadentes, que se festejam uns os outros discursando sobre o passado. Quando o mundo lá fora já tomou rumo completamente diferente.

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