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Sexta, 10 Junho 2016 01:28 Última modificação em Terça, 14 Junho 2016 00:05

Como os "coxinhas" vencem um debate sem ter razão [Parte 1]

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País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Gazeta Operária

[Alejandro Acosta] Sobre a ditadura militar brasileira.

O YouTuber Felipe Castanhari, conhecido nas redes sociais pelo seu canal “Nostalgia”, realizou um vídeo onde denunciava as atrocidades cometidas pela ditadura militar no Brasil e que já tem 1,25 milhão de visualizações. A direita fascistóide brasileira o atacou violentamente.

Em resposta ao vídeo de Felipe Castanhari apareceu um pequeno vídeo onde o elemento da extrema-direita, Nando Moura, por meio de seu canal pessoal no YouTube, “respondeu” as colocações feitas por Castanhari. Trata-se, na verdade, da reprodução da campanha da extrema-direita do imperialismo, principalmente aquela organizada detrás do Tea Party, agrupada no Partido Republicano, sobre a ditadura no Brasil, e em toda a América Latina.

Desde que a crise do capitalismo vem se acentuando e a decomposição do regime político burguês em escala mundial têm escalado, a luta de classes vem sofrendo um processo de agudização e a ala de centro desse regime vem sofrendo sua implosão e, ao mesmo tempo, sendo empurrada para os extremos do cenário político. Com isso, cada vez mais direitistas, e até defensores abertos do golpe militar e do fascismo, multiplicam-se pelas redes e nos atos de rua. Tudo, obviamente, orquestrado como campanha pelo imperialismo e, em muitos casos, diretamente pela extrema-direita norte-americana.

Os métodos de “discussão” política da direita, e da extrema-direita, não são o do debate de posições opostas, mas o “silenciamento” de seu adversário e o violento ataque pessoal contra ele. Isso porque, a direita foi educada por seu maior “intelecto” nacional, Olavo de Carvalho.

Essa questão de silenciar pessoas é uma prática muito corriqueira da extrema-direita mundial. Essa política foi aplicada de maneira gritante contra o cartunista Carlos Latuff quando fez uma charge sobre os ataques de Israel contra os palestinos. Nesse episódio, a direita mandou “milhares” de coxinhas para ataca-lo em sua página no Facebook, até que ele foi forçado a retirar sua charge. Isso aconteceu contra várias outras publicações da esquerda.

De fato, não se trata de “milhares” de coxinhas, mas de operações comerciais. São verdadeiros “call centers” que são contratados para realizarem esse serviço sujo e que não demanda muita inteligência.

Nas manifestações de 2013, quando ficou claro depois do dia 17 de junho que por meio da força bruta o governo direitista de Alckmin não iria conseguir sufocar a radicalização dos manifestantes, sumiram os milhares de policiais e entraram em cena os “milhares” de coxinhas da extrema-direita.

As verbas da FIESP e da Rede Golpe de Televisão jorraram nessa direção em grandes volumes.

Vamos, abaixo, responder, em uma série de partes, às principais barbaridades pronunciadas por um dos elementos da extrema-direita metido a “democrata informador” expostas no vídeo: Canal Nostalgia e a DITADURA!!, de Nando Moura

1:30 – “todas as revoluções comunistas só aconteceram porque foram financiadas com muito dinheiro”

Começamos bem. O grau de imbecilidade dessa (des)informação é gritante. A primeira revolução “comunista” foi a Comuna de Paris, de 1871, quando a classe operária tomou o poder durante dois meses e meio após a burguesia francesa ter se aliado aos invasores alemães contra os trabalhadores parisienses.

A Revolução Russa, de 1905, explodiu a partir de manifestações operárias contra o famoso massacre do “Domingo Negro”, quando as tropas do Czar assassinaram centenas de operários que, liderados pelo Padre Gapon, ligado à polícia secreta, a Okhrana, pedia que o Czar intervisse para que eles conseguissem algumas melhorias. A Revolução Russa, de fevereiro de 1917, estourou de maneira espontânea a partir da enorme crise gerada pela Primeira Guerra Mundial. A Revolução de outubro de 1917, começou em São Petesburgo e durante vários meses ficou isolada nessa cidade e em Moscou. Dezoito exércitos estrangeiros foram enfrentados e derrotados por uma população que era composta, em 80%, por camponeses e, no total, 90% era analfabeta.

As quatro revoluções alemãs que estouraram após a 1° Guerra Mundial tiveram na base a enorme crise gerada pela Guerra. Foram, em grande medida, revoluções espontâneas e elas foram derrotadas pelas políticas oportunistas da socialdemocracia e a falta de maturidade do Partido Comunista. O mesmo aconteceu com as demais revoluções do período, na Hungria e na Bulgária, por exemplo.

A Revolução Chinesa foi esmagada em 1927 e deixou um saldo de cinco mil comunistas assassinados pelo regime de Chiang Kai-shek.

A Segunda Guerra Mundial, que tinha na base a luta entre as potências que chegaram com atraso ao reparto do mercado mundial, principalmente a Alemanha, a Itália e o Japão, e as principais potências capitalistas, França, Inglaterra e os Estados Unidos “botaram fogo ao mundo” e provocou mais de 80 milhões de mortos. Essa enorme crise esteve na base de inúmeras revoluções na Europa, na Ásia e na África.

As revoluções na Albânia e na Iugoslávia triunfaram contra os fascistas e os nazistas sem nem sequer o Exército Vermelho ter passado por lá. A classe operária na França se armou contra os nazistas. Na Itália, os operários tinham tomado todas as fábricas do norte industrial. Na Grécia, aconteceram duas revoluções. Essas revoluções foram derrotadas por causa dos acordos das conferências de Ialta, cidade que fica na península da Criméia, de Teerã, no Irã, e de Potsdam, na Alemanha, que determinaram a divisão do mundo entre as potências que tinham vencido a guerra, a União Soviética, por um lado, e os norte-americanos, ingleses e franceses pelo outro.

Todas as revoluções de libertação da África foram realizadas contra os países coloniais em crise, o que facilitou as vitórias. E quem as realizou foram povos muito atrasados, mas que lutavam pelo direito à independência das potências coloniais.

Na Ásia, a Revolução Chinesa foi um caso espetacular de revolução de massas que ficou muito evidente quando Mao Tse Tung entrou, em 1949, em Pequim, em cima de um tanque norte-americano, que era um dos tantos que tinham sido enviados para Chiang Kai-shek.

O caso mais gritante das revoluções populares, contra o imperialismo, que aconteceram na Ásia, foi a do Vietnã. O exército mais poderoso do mundo (o norte-americano) jogou, contra uma população de camponeses pobres, mais bombas do que foram jogadas em todas as frentes da Segunda Guerra Mundial. No Vietnã, somente não foi usada a bomba atômica. Esses camponeses, ignorantes e analfabetos, derrotaram o maior exército do mundo, os enormes aviões B-52, o napalm (o agente químico que tornava terra arrasada os setores da floresta onde era jogado, e que hoje está na base dos agrotóxicos da Monsanto) e os 1,2 milhão de mercenários, que se juntaram aos soldados. O custo desse verdadeiro massacre, contra uma população que estava decidida a lutar pelo seu próprio destino, deixou um saldo de vários milhões de mortos e descapacitados.

Outro caso muito significativo de vitórias de revoluções populares lideradas por socialistas revolucionários foi o de Cuba, de 1959. Normalmente, a imprensa tenta nos apresentar que foi um punhado de barbudos na Sierra Maestra que fez a revolução. Nada mais longe da realidade. Eles “apenas” lideraram a revolução. A crise no “puteiro norte-americano”, como Cuba era conhecida, era tão grande que o regime político estava caindo aos pedaços no país inteiro. Depois da vergonhosa tomada da cidade de Santa Clara, quando um vagão com quatro mil soldados e cheio de armamentos foi colocado fora de combate por pouco mais de 200 guerrilheiros, liderados por Ernesto “Che” Guevara, o regime caiu de podre. O mesmo aconteceu em 1961 com a tentativa, encabeçada pela CIA, de criar uma ponte de praia, na Praia Girón, para invadir o país.

E poderíamos continuar os relatos sobre revoluções encabeçadas por trabalhadores pobres que têm implodido os mais brutais mecanismos de repressão fazendo relação a vários outros países. Nicarágua, em 1979, Irã, em 1979, a revolução Zapatista, em 1992 etc.

Para o próximo período, devido ao brutal apodrecimento do sistema capitalista mundial, estão colocadas revoluções, isto é, a expropriação do 1% de parasitas que dominam o mundo, nos países desenvolvidos.

O caso da França hoje representa apenas uma amostra do que virá amanhã.

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