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Segunda, 05 Março 2018 17:05 Última modificação em Domingo, 11 Março 2018 21:49

PCB: Façamos do 8 de março uma luta anticapitalista e anti-imperialista!

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País: Brasil / Mulher e LGBT / Fonte: PCB

Dia Internacional de Luta das Mulheres ! Todo poder às trabalhadoras e aos trabalhadores!

Coordenação Nacional – Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro

O Dia Internacional das Mulheres historicamente foi palco de lutas das comunistas pelo mundo. Foi nessa data que a chama revolucionária das mulheres trabalhadoras russas ganhou as ruas de Petrogrado e, a partir daí, deu-se início o processo revolucionário que marcou a história das trabalhadoras e dos trabalhadores de todo o mundo. Em 8 de março de 1917, as mulheres operárias de São Petersburgo (Petrogrado), em greve, saem às ruas pelo fim da I Guerra Mundial, por aumento de salários, pelo fim da fome e em comemoração à data proposta por Clara Zetkin na Conferência Internacional das Mulheres Socialistas em 1910.

Seguimos na resistência, continuando a história de lutas destas mulheres e marcaremos o 8 de março com todo vigor dessas revolucionárias, pois isso é fundamental para o momento do acirramento da luta de classes no nosso país. As crises econômica e política abriram um novo ciclo de lutas e colocaram em xeque o projeto político de apaziguamento das lutas, encabeçado pelo PT, bem como mostrou a quem serve a democracia burguesa, escancarando o jogo político institucional entre as frações burguesas.

Esse apassivamento da classe operária levou-a ao imobilismo, assim como a traição de grande parte do corpo sindical, que esteve servindo ao patronato e aos governos de coalizão. Ambos os fatores foram determinantes para as frágeis condições organizativas das/os trabalhadoras/es em um momento tão crítico.

Após o impedimento da ex-presidenta Dilma e a formação desse “novo” governo ilegítimo, Temer intensificou os ataques contra os direitos da classe trabalhadora. A aprovação da Reforma Trabalhista e da PEC do Teto dos Gastos tende a acirrar as lutas de classes no Brasil. Nós, trabalhadoras brasileiras, precisamos avançar em nossa organização e luta para enfrentar os ataques do capital, do Estado e dos governos.

A greve geral de 28 de abril de 2017 mostrou a insatisfação popular com as reformas e foi um ápice da ascensão das lutas de massas no país. A desmobilização da greve geral seguinte expôs os entraves que as centrais sindicais ligadas ao petismo ainda mantêm para frear as lutas. A CUT e a CTB, centrais com grande força no país, ao fazerem das greves gerais meros mecanismos de negociação antes das votações da Câmara, utilizando dessas simplesmente como forma de ameaça à burguesia, não mantiveram um processo contínuo de mobilizações nas bases e isso refreou o movimento.

A direção dessas centrais desconsidera a importância do avanço político e organizativo para a classe trabalhadora, que se dão dentro dos ambientes das lutas e como isso prepara o proletariado para os momentos de maior acirramento. Como pondera Rosa Luxemburgo, em seus escritos sobre as greves de massas, “O resultado mais precioso, porque permanente, nesse brusco fluxo e refluxo da revolução é seu peso intelectual: o crescimento intermitente do proletariado no plano intelectual e cultural é uma garantia absoluta do seu irresistível progresso futuro, tanto na luta econômica, quanto na luta política” (LUXEMBURGO, 2009, p.53).

Com a condenação de Lula e a impossibilidade de o mesmo disputar as eleições, o PT retoma os apontamentos para as greves, tentando mais uma vez utilizar as lutas das massas populares e trabalhadoras para dar força às suas negociatas institucionais. O caldo político gerado pela luta contra a reforma trabalhista e da previdência está sendo jogado para a luta pela “democracia” e contra a condenação do ex-presidente petista.

Por outro lado, vemos o aumento do conservadorismo no país, que, aliás, é próprio dos momentos de acirramento das lutas de classes. Ideias reacionárias ganham expressão e nesse contexto a mulher é a mais atingida. A perda e ameaças de perdas de direitos quanto à leis que garantem o aborto em caso de estupro, anencefalia e risco de morte às mães, o corte de verbas na saúde e educação (menos creches, altos índices de violência obstétrica, campanhas de vacinação falhas, etc), aumento de tempo de trabalho para a aposentadoria das mulheres, precariedade ainda maior nas relações trabalhistas, ampliação das expressões e violências protofascistas e a pré-candidatura de Jair Bolsonaro são exemplos disso.

Entre as feministas, ganham força os movimentos cada vez mais específicos e identitários, próprios da fragmentação pós-moderna, com grande força nas universidades. As lutas contra a violência se restringem ao combate individual e dentro da institucionalidade, sendo consonante com o encarceramento em massa da população negra e pobre das periferias. Nesses movimentos ignora-se a estrutura social que produz e é reproduzida pela violência patriarcal. Dessa forma, a luta contra a reforma da previdência e a reforma trabalhista é secundarizada nesse momento e não é vista como parte central do combate à violência.

Desconsidera-se que muitas mulheres hoje, entre as classes mais pobres, são as provedoras das famílias com as suas aposentadorias e possibilitam para si e, muitas vezes, para suas filhas e netas, um espaço para refúgio da violência familiar. A reforma trabalhista já está gerando e gerará desgastes para toda a classe, mas principalmente para as mulheres negras e pobres, que, além de estarem mais sujeitas à demissões e contratações mais precarizadas, também receberão toda a sobrecarga emocional gerada pela demissão de seus companheiros. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), produzida até o fim de 2017, mostrou que mais uma vez as mulheres ocupam as menores faixas de empregados, mesmo sendo a maior parte da população em idade ativa. O nível de ocupação estimado dos homens foi 64,5%, enquanto das mulheres foi 45,4%. O índice de desemprego foi maior entre as mulheres e a população negra.

Por isso reafirmamos que a luta contra a violência patriarcal para ser efetiva também deve ser uma luta anticapitalista. Isso não exclui que a violência patriarcal deva ser combatida no âmbito individual e coletivo, num processo de educação de nossa classe, discutindo e compreendendo a questão do punitivismo como política central da burguesia e seus Estados. Essa mesma política punitivista é utilizada nesse momento para justificar a violenta ocupação militar no Rio de Janeiro e a contínua guerra às drogas, que extermina nossa juventude, negra e periférica.

Internacionalmente as movimentações de figuras acadêmicas e o combate à violência têm ganhado força no 8 de março, mas infelizmente poucos desses movimentos têm conseguido conectar-se a uma luta mais geral contra o capital ou mesmo em lutas mais amplas, que apontem ganhos orgânicos para a classe trabalhadora e principalmente para as mulheres. Apesar desse limite compreendemos como positivas essas lutas ganharem um âmbito internacional e não se conformarem ao espaço nacional, algo que se coaduna com o internacionalismo proletário. Porém, elas devem ser disputadas a fim de ganharem um caráter classista e contra o capital-imperialismo.

É necessario estarmos nas ruas no 8 de março contra os ataques do governo Temer e da burguesia à classe trabalhadora e dizendo que não aceitaremos que nossas pautas sejam convertidas simplesmente em plataformas eleitoreiras. As lutas das mulheres trabalhadoras devem ser chamas para a organização de toda nossa classe e para o rompimento com essa sociedade que nos violenta, destrói nossos sonhos, nos explora e mata nossas (os) filhas (os), irmãs (os) e companheiras (os).

Estaremos nas ruas, nos bairros, nas fábricas, nas escolas e em todos locais de trabalho organizando o poder popular!

Contra a Reforma Trabalhista e da Previdência!

Contra as Privatizações!

Contra a Ocupação Militar no Rio de Janeiro!

Por melhores condições de saúde, educação e trabalho!

Pelo Poder Popular!

Referências:

LOUREIRO, Isabel (org.) – Rosa Luxemburgo, Textos Escolhidos. 1. ed. São Paulo: Expressão Popular; 2009.

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