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Sexta, 29 Abril 2016 00:35 Última modificação em Sexta, 06 Mai 2016 17:14

A esquerda sobreviverá?

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País: Brasil / Batalha de ideias / Fonte: Diário Liberdade

[Alejandro Acosta] Crise do regime burguês e crise da esquerda pequeno-burguesa

A crise capitalista, aberta em 2008, tem escalado com muita velocidade. A baixa nas taxas de lucros dos monopólios tem levado o imperialismo, principalmente o norte-americano, à aprofundar os ataques à classe operária em escala mundial, especialmente nos países atrasados, como os da América Latina.

Uma das políticas colocadas em pé com o objetivo de conter a crise foi a inundação do mercado mundial com crédito oriundo de recursos públicos. Mas a crise do regime político avança. Em 2011, estouraram as revoluções árabes que representavam o elo mais fraco do sistema capitalista mundial. A política adotada pela Administração Obama, a chamada “contrarrevolução democrática”, começava a entrar em colapso na periferia do capitalismo.

Na tentativa de conter a crise, o imperialismo norte-americano tentou colocar em pé regimes de força, como aconteceu com os golpes pinochetistas no Egito e na Tailândia e o promovido em cima de grupos fascistas, na Ucrânia em 2012. Mas as contradições, longe de terem sido superadas ou diminuídas, se acirraram ainda mais.

Essa política de força tende a se intensificar no próximo período devido ao recrudescimento do regime político, que deverão acontecer após as eleições presidenciais nos Estados Unidos, deste ano. No páreo, estão de um lado Hilary Clinton, do Partido Democrata, uma representante da direita tradicional super testada. Ela participou dos governos de seu marido, Bill Clinton, que deram continuidade ao governo de Bush pai e também foi secretária do Departamento de Estado da Administração Obama, onde aplicou em grande medida a política dos “neoconservadores”. Do outro lado, está Donald Trump, um elemento da extrema-direita, que corre por fora do aparato dos partidos tradicionais, nesse caso o Tea Party, que se agrupa no Partido Republicano, o que representa uma tremenda desestabilização do regime.

A direita tradicional se agrupa por detrás de Clinton, na tentativa de se contrapor à extrema-direita que se organiza por detrás de Trump. Independentemente do resultado das eleições, o regime político irá sofrer um recrudescimento e uma política mais agressiva será colocada em prática.

Isso refletirá no recrudescimento do regime político na América Latina e no aumento da pressão imperialista contra os governos dos países da região. Essa pressão tem refletido nos ziguezagues da política da esquerda pequeno-burguesa brasileira, e também latino-americana, que é intrinsecamente centrista e que se encontra integrada ao regime político. Entendemos por esquerda pequeno-burguesa os agrupamentos políticos que representam os interesses das camadas médias da população.

A tendência dos grupos centristas é serem cada vez mais empurrados no sentido da integração ao regime burguês defendendo abertamente o golpe em andamento e o impeachment da presidente Dilma Rousseff, como é o caso do PSTU e de setores do PSOL, ou se mudando de “mala e cuia” para a “frente popular”, encabeçada pelo governo do PT, e adotando a política da conciliação de classes, como aconteceu, como exemplo mais recente, com o PCO.

A implosão do “terceiro campo”

O PSTU, que apoia fielmente o golpismo, já tinha dado amostras de sua política direitista e pró-imperialista muito antes dos primeiros elementos do golpe de Estado no Brasil estarem claros como a luz do dia. O PSTU apoiou, deliberadamente, os Estados Unidos e a administração Obama, durante o golpe militar no Egito e o golpe de características fascistóides na Ucrânia, e pouco antes o golpe branco no Paraguai. Promoveu o imperialismo norte-americano a defensor número um da “democracia” contra a “ditadura” dos governos árabes. Sua oposição ao chavismo na Venezuela e sua defesa ao RCTV, a rede de televisão que apoiou abertamente o golpe contra Hugo Chávez em 2002, são outras evidências de que o PSTU se atirou nos braços da direita.

Hoje no Brasil, a palavra de ordem do PSTU, sobre o “Fora Todos!” e “Eleições Gerais Já!” representam uma política muito oportunista disfarçada de “ultraesquerdismo” que coincide com os interesses da direita. Para tentar camuflar o apoio à direita, a esquerda pequeno-burguesa busca criar um suposto “terceiro campo” a partir da constituição do movimento “Espaço de Unidade de Ação” (o EUA, qualquer semelhança com Estados Unidos da América – EUA não é mera coincidência). Os interesses da classe operária são substituídos pela injúria: “governistas!”.

Quando não expressa uma adesão completa aos ideais da direita, o “terceiro campo” mostra uma passividade mascarada de intransigência verbal diante das capitulações da direção do PT. O “terceiro campo” representa, na prática, uma “saída pela tangente” de quem achou um lugar confortável de onde não necessitará enfrentar a política conciliadora que a “frente popular” impõe ao movimento de massas. Dotar o movimento de uma política capaz de derrotar a ofensiva da direita e do imperialismo significa romper o cerco imposto a esse movimento pelo PT e seus aliados. Ao invés de uma política nesse campo, prefere-se atos separados onde fica cada direção política com seu quintal.

O fato é que o “terceiro campo” se coloca, na prática, no campo da direita. A consequência dessa política é chegar a participar dos atos convocados pela direita. Isso seria repetir o que fizeram em 2014 quando marcharam ao lado da direita e da extrema-direita nas manifestações do “Não Vai Ter Copa”, quando a direita levantava a bandeira da corrupção, tentando impulsionar uma manifestação anti-Dilma. Essa política criava uma cortina de fumaça e não expressava de forma tão acabada, como agora, as bandeiras de extrema-direita. Nessa manifestação as palavras de ordem “Fora Dilma” e “Intervenção Militar Já!” apareceram de forma mais tímida e quando o movimento tinha perdido fôlego. O ponto chave era a presença do MTST no “Não Vai Ter Copa”, o que imprimia à manifestação uma “maquiagem” popular, embora seu conteúdo continuasse sendo direitista.

Nas atuais manifestações da direita, não há nenhum Guilherme Boulos discursando em cima dos carros do MBL (Movimento Brasil Livre) ou do “Revoltados Online!”, ambos movimentos de extrema-direita. Não existe mais essa “maquiagem” popular e a extrema-direita vem atuando de forma muito mais aberta e truculenta. As manifestações se converteram na apologia da volta à ditadura militar, do apoio a Bolsonaro e aos elementos mais direitistas. Figurões da direita tradicional, tais como Alckmin, Dória Jr e até o próprio Aécio Neves, entre outros, chegaram a ser expulsos por esses manifestantes de extrema-direita. Nesse cenário, ficou quase impossível para o PSTU e os demais setores do “Espaço de Unidade de Ação” aderirem às manifestações da direita. Mesmo que o MNN (Movimento Negação da Negação), que participa do “EUA”, o tenha feito.

A política do “terceiro campo” gira em torno do chamado “anti-governismo”. A política oficial do PSTU é levada até as últimas consequências pelo MNN. Ela consiste em depositar a confiança na direita e acreditar que poderá levar a cabo a derrubada do governo do PT que irá se implodir. Com a implosão do PT, a esquerda pequeno-burguesa cooptaria seu espólio, tal como aconteceu na Grécia com o Syriza, abrindo a possibilidade do fim da polarização do regime político entre PT e PSDB. O caminho ficaria livre para que essa esquerda chegasse ao governo. O denominador comum da política do “terceiro campo” é na verdade o oportunismo eleitoreiro.

Os atos realizados pela CSP-Conlutas/ PSTU em São José dos Campos, nas portas das fábricas da GM e da Cherry, representam um exemplo da crise dessa esquerda. Os ônibus que conduziam os trabalhadores da GM foram detidos pelo Sindicato dos Metalúrgicos de SJC a três quilômetros da porta da fábrica. Os trabalhadores foram obrigados a marchar até a portaria atrás de uma enorme faixa onde estava escrito “Fora Todos! Eleições Gerais Já”. A “coincidência” foi que a Rede Globo local estava lá para filmar e noticiar. Na Cherry, houve até boneco de Dilma e de Lula no melhor estilo direitista.

As alternativas com que o PSTU, e os setores do “Espaço de Unidade de Ação”, contam hoje seriam a de se implodir nesse “terceiro campo”, ou a de irem direto para as manifestações da direita, o que, na prática, também representam uma implosão. Isso explica porque alguns agrupamentos do “EUA”, como o MRT, estão desertando e passaram a chamar a participação nos atos do 1° de maio unificado da Frente Brasil Popular.

Qual deve ser a política dos revolucionários?

A esquerda burguesa e pequeno-burguesa, integrada ao regime burguês, tanto por meio da “frente popular”, ou por meio de outras políticas oportunistas, enfrenta gigantesca burocratização.

A “frente Popular”, encabeçada pelo governo do PT, se apoia nos acordos com a direita no Congresso, para manter a “governabilidade” do regime. Colocar as massas a reboque da “frente popular” representa uma traição aos interesses dos trabalhadores. A única maneira de combater o golpe, de maneira efetiva, passa pela organização independente de todos os setores da burguesia.

Os revolucionários devem repudiar a esquerda pequeno-burguesa que se agrupa em torno do chamado “terceiro campo”.

Os revolucionários devem atuar em uma frente única contra o golpe, mas devem sempre manter sua independência em relação às direções oportunistas e a cada capitulação denunciar essas ações que são contra o desenvolvimento da luta. A própria “frente popular”, por sua política de capitulação, ao mesmo tempo, tem se transformado em uma das engrenagens golpistas na medida que impede uma ação efetiva dos trabalhadores contra a direita, como pode ser visto no ato do dia 17 de abril que foi transformado em uma “torcida organizada” na contagem de votos enquanto a cúpula do PT tentava fazer os maiores conchavos com elementos de setores da direita. Como resultado “colheu” uma vergonhosa derrota, enquanto nos manifestantes sobrava o sentimento generalizado de desmoralização. A diferença desse ato, com o do dia 31 de março foi que este começou a ultrapassar os controles burocráticos impostos pela direção da “frente popular”. Muitos grupos (como o MST, o MTST e vários outros) levantaram as bandeiras históricas dos trabalhadores e as democráticas.

Os revolucionários devem atuar junto com a Frente Brasil Popular com objetivo de impulsionar os setores mais dinâmicos, principalmente nos Comitês anti-golpe e nas manifestações contra a direita. O objetivo não deve ser blindar a “frente popular”, mas IMPLODI-LA por meio das denúncias às recorrentes capitulações que devem ser expostas às massas e se mostrar como alternativa revolucionária de direção. “Golpear juntos, mas marchar separados”.

É preciso participar do 1° de maio unificado, impulsionado pelos setores da Frente Brasil Popular, principalmente a CUT, com objetivo de denunciar o golpe parlamentar e também as capitulações da “frente popular” à direita que fazem parte das engrenagens golpistas.

NÃO AO GOLPISMO!

Todos ao 1° de maio unificado da Frente Brasil Popular!

Abaixo da política de preservar a “governabilidade”!

Não ao acordão do PT com a direita!

Fora os ministros golpistas do Governo!

Não ao Ajuste, pelos Direitos dos Trabalhadores!

Que a crise seja paga pelos capitalistas!

Fonte: https://alejandroacosta.net/

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